Setembro Amarelo - Mês de Prevenção ao Suicídio.



O mês de setembro se inicia com uma cor diferente: a Amarela. Nesse mês a saúde mental toma uma importância ainda maior, é o mês da prevenção ao suicídio. É interessante entender que quem comete ou tem tentativas de suicídio tem um transtorno mental e está em grande sofrimento. 


A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que certa de um milhão de pessoas morrem todos os anos por suicídio, ou seja, a cada 40 segundos uma vida é perdida no mundo.  Esses dados são ainda mais preocupantes nos jovens de 15 a 29 anos.


Observam-se impactos no aumento do índice de suicídios ou tentativas com pessoas que possuem um histórico familiar; exposição precoce ao estresse; traços de impulsividade; psicopatologias; ansiedade; desesperança; genética e uso de substância. Além disso, tem os fatores sociais como mudanças repentinas; crises financeiras e sociais e isolamento social. Por último temos os fatores ambientais, com as mídias; facilidade de acesso aos meios letais e dificuldade de acesso aos centros de saúde.


Falar sobre as emoções pode não ser fácil e rodeada de estigmas, quando falamos sobre saúde mental ainda há muito estigma a ser combatido. Muitas pessoas ainda acreditam que esse cuidado com a saúde mental é algo menor, envolve uma vergonha por se perceber precisando de ajuda, gerando uma sensação de fracasso e isso faz com que muitas pessoas acabem se isolando socialmente e aumentando a sensação de desesperança. Esse é o pior cenário para quem está em sofrimento, uma vez que fica difícil sair desse ciclo e procurar/pedir ajuda.


Ainda existem muitos mitos a respeito do suicídio, uns deles são eles: quem quer se matar não fala; todas as pessoas que tentam suicídio são deprimidas; perguntar para uma pessoa sobre seu desejo de se matar aumentaria o risco de realizá-lo; as crianças não se suicidam; quem tenta suicídio não se suicida; os que tentam cometer suicídio não desejam morrer, apenas chamar atenção.


O suicídio é considerado um problema grave de saúde pública. Segundo a OMS 79% dos casos de suicídio estão localizados em países com baixa ou média renda, isso se torna preocupante porque esses países concentram mais de 84% da população mundial. Estatisticamente as mulheres tentam suicídio em maior número que os homens, mas são eles os com maior índice de morte por suicídio, por usarem métodos mais letais. Além disso, as mulheres conseguem ter mais meios de proteção como buscar ajuda médica, se engajar em atividades sociais e um menor estigma em relação aos transtornos mentais, isso facilita a busca de tratamento. 



Dos 15 aos 29 anos, a segunda maior causa de morte, é o suicídio. Com os idosos o índice também é elevado, principalmente em indivíduos que sofrem de depressão, ansiedade e doenças físicas. A perda do parceiro e a aposentadoria também são fatores que colaboram para o índice nos idosos. A cor e etnia também são fatores que aumentam o índice de suicídio. Os jovens negros estão em um dos grupos mais vulneráveis, uma vez que são acometidos de muito preconceito; discriminação racial e racismo estrutural; rejeição; ausência de sentimento de pertencimento; sensação de inferioridade; negligência; maus-tratos; violência, etc. O impacto social e econômico aumentam o índice de suicídio, as grandes crises econômicas que gera um aumento de desemprego tem um fator importante no aumento do suicídio. 


O suicídio perpassa pela família de quem o cometeu de forma muito cruel. O processo de luto desses familiares é mais dificultoso, podendo gerar o adoecimento como depressão, ansiedade, agravamento de doenças preexistentes, aumento do uso de substâncias e até mesmo o comportamento suicida. 



Cuidar da saúde mental é entender nossos limites, buscar ajuda quando percebermos que algo está diferente do que sempre foi. Da mesma maneira que buscamos um médico cardiologista quando sentimos algo em nosso coração, a busca do psiquiatra e/ou psicólogo precisa acontecer com essa mesma naturalidade. A depressão, ansiedade e outros transtornos têm possibilidade de tratamento. Lembre-se: assim como outras áreas médicas, quanto mais precoce a intervenção, menor os custos de tratamento.






Fonte: Quesada, Andrea Amaro

Suicídio na atualidade / Andrea Amaro Quesada, Antônio Gilberto Ramos Nogueira, Carlos

Henrique de Aragão Neto e Vagner Silva Ramos Filho. – Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2020.

15 p. : il. color.

(Curso Prevenção ao Suicídio; fascículo 1).







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