Tombar o outro é fácil, mas será que eu também não sou parte disso tudo?


Tombar o outro é fácil, mas será que eu também não sou parte disso tudo?


Só se fala nisso: tombamentos, frieza, etc. Vamos combinar que no fundo muita gente errou, não foi só a coleguinha??


Enquanto profissional não me cabe dar diagnóstico algum sobre pessoas que eu não atendo, mas consigo observar comportamentos repetitivos em nossa sociedade que geram consequências ruins e lá dentro da casa com os Grandes Irmãos isso não deixaria de acontecer (nunca deixou).


Quero iniciar a conversa falando sobre a maldade, muito se viu e pouco se fez para diminuir tal comportamento. Porque será que é tão difícil a gente lutar contra isso? se expor para tentar diminuir esse comportamento virou quase como se fosse a confirmação da nossa eliminação? enquanto aqui fora as pessoas queriam justamente essa luta, estamos sedentos por coisas boas e cada vez mais cobrando que mudanças aconteçam, mas elas não serão feitas de um dia para o outro. Geralmente quem está no meio da situação não consegue perceber quando o cenário mudou de chamar atenção para uma humilhação.


A gente vê essa maldade ocorrendo todos os dias em nossas vidas, pessoas são mortas e já não sentimos mais como deveríamos sentir, pessoas "invisíveis" em peso nas grandes capitais e a maioria das pessoas "visíveis" não estão nem aí. Até com as crianças nós conseguimos ver essa situação, quando falamos sobre bullying. Quem sofre precisa de ajuda e acompanhamento, mas quem "bate" precisa tanto quanto também. Muitos dos nossos comportamentos são aprendidos, funcionavam bem durante nossa infância e adolescência, mas quando chegamos na fase adulta não fica tão legal e precisamos aprender comportamentos mais funcionais. Se eu só aprendi que sou ouvida através do grito, eu entendo que é isso que preciso fazer e é o certo, mas será que é mesmo? Por vezes já não é e isso gera dentro da pessoa uma ambivalência (eu entendo que preciso mudar, tento mudar, é difícil mudar, volto atrás e cometo o comportamento, acho que tá tudo certo e isso vira um ciclo vicioso).


Constantemente o comportamento agressivo vem como forma de tentar regulação a emoção, é fácil observar que também é um mecanismo de defesa. Não posso abaixar minha guarda e ser vulnerável, aprendi que para sobreviver preciso ser forte o tempo inteiro e ser vulnerável é a confirmação do meu FRACASSO. Lidar com isso é extremante angustiante e geralmente a manutenção do comportamento é justamente com a função de proteção em situações que a pessoa se sente "atacado" e socialmente possui função de preservação do eu e a tentativa de colocar um limite no outro.


Por fim, estamos todos à mercê de comportamentos explosivos, mas se buscarmos entender o que está por trás deles e trabalharmos para melhor é possível ter mudanças muito significativas. A Raiva não vai deixar de existir, precisamos dela para lutar pelo que é nosso, mas precisamos entender os limites e não nos deixar ficar cegos de ódio. Já parou para pensar que foi a RAIVA que fez o povo lutar pela injustiça feita? Pois é, tá vendo como não tem somente o bem ou o mal? O que podemos fazer é observar nossos comportamentos, comportamentos de pessoas próximas e queridas e um ir ajudando o outro.

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